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BENITO DI PAULA: O FILHO DE NOVA FRIBURGO QUE LEVOU O NOME DA CIDADE PARA O BRASIL E O MUNDO

Por sua música, sua história e seu orgulho de suas raízes, Benito di Paula tornou-se um dos maiores nomes da cultura brasileira e um dos artistas que mais projetaram Nova Friburgo para além das montanhas da Serra Fluminense.

Nova Friburgo perdeu, em 18 de outubro de 2026, um de seus filhos mais ilustres. Aos 84 anos, morreu o cantor, compositor e pianista Benito di Paula, nome artístico de Uday Vellozo, deixando uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à música brasileira.

Mas a história de Benito não pode ser contada apenas pelos grandes palcos, pelos discos vendidos ou pelos sucessos que atravessaram gerações. Para Nova Friburgo, Benito representa algo ainda maior: um filho da cidade que saiu das montanhas e conquistou o Brasil sem esquecer suas origens.

UM MENINO FRIBURGUENSE QUE NASCEU COM A MÚSICA EM CASA

Uday Vellozo nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, em uma família numerosa e profundamente ligada à música. Seu pai, José Vellozo, tocava piano, bandolim e violão, e foi dentro de casa que Benito teve seus primeiros contatos com os instrumentos.

A música acompanhou sua infância e juventude. Ainda adolescente, começou a se apresentar e a construir sua identidade artística.

Um dos capítulos mais importantes dessa fase aconteceu justamente em Nova Friburgo. Quando tinha aproximadamente 15 ou 16 anos, Benito foi convidado pelo empresário e incentivador Alfredo Motta para se apresentar no Hotel Avenida, no Centro da cidade. Foi ali, diante do público friburguense, que começaram a se desenhar os primeiros passos de uma carreira que posteriormente alcançaria o país inteiro.

O próprio Benito lembrava com carinho de suas origens. Em entrevista, contou também que trabalhou na antiga Rádio Sociedade, hoje Nova Friburgo FM, experiência que considerava uma verdadeira escola.

DE NOVA FRIBURGO PARA O BRASIL

Como tantos artistas que precisam deixar sua cidade para buscar novas oportunidades, Benito seguiu primeiro para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo.

A mudança, entretanto, não significou abandonar suas raízes.

Foi nos grandes centros que sua carreira começou a ganhar proporções nacionais. Depois de atuar como crooner em boates e casas noturnas, Benito encontrou seu caminho artístico e passou a desenvolver uma sonoridade própria.

Na década de 1970, veio a consagração.

Com seu piano, sua voz marcante, seu visual característico e uma maneira própria de interpretar o samba, Benito di Paula conquistou um enorme público. Entre seus grandes sucessos estão “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Se Não For Amor”, “Tudo Está no Seu Lugar” e outras músicas que se transformaram em referências da música popular brasileira.

Seu estilo ajudou a aproximar o samba de uma linguagem mais romântica e popular. Embora tenha recebido diferentes rótulos ao longo da carreira, Benito sempre defendeu a identidade de sua música.

Ele não era apenas cantor.

Era pianista, compositor, intérprete e criador de uma identidade musical própria.

“RETALHOS DE CETIM” E A CONSAGRAÇÃO

Entre todas as músicas de sua carreira, poucas alcançaram a dimensão de “Retalhos de Cetim”.

A canção tornou-se um clássico e atravessou gerações, sendo posteriormente interpretada e relembrada por diferentes artistas.

O sucesso de Benito não ficou restrito ao Brasil. Sua obra alcançou outros países e despertou o interesse de importantes nomes da música internacional. A Câmara Municipal de Nova Friburgo destacou que suas composições foram interpretadas por grandes artistas brasileiros e também por nomes internacionais, contribuindo para a divulgação da música brasileira fora do país.

E, em meio a todo esse reconhecimento, havia uma origem que nunca deixou de acompanhá-lo:

Nova Friburgo.

O ARTISTA QUE LEVOU NOVA FRIBURGO NO CORAÇÃO

Talvez uma das maiores contribuições de Benito para sua cidade natal tenha sido justamente mostrar ao Brasil que aquele grande artista vinha de Nova Friburgo.

Em uma época em que a projeção nacional estava concentrada principalmente nos grandes centros, um jovem nascido na Serra Fluminense conseguiu construir uma carreira nacional e internacional.

E seu vínculo com a cidade permaneceu presente em sua memória e em sua obra.

A Prefeitura de Nova Friburgo, ao decretar luto oficial após sua morte, reconheceu oficialmente essa importância. O decreto municipal ressaltou que Benito nasceu na cidade, cresceu em Nova Friburgo, iniciou ali sua trajetória artística e levou as raízes do samba friburguense para diferentes partes do Brasil e do mundo.

Essa relação fez de Benito muito mais do que um artista nascido em Nova Friburgo.

Ele se tornou um verdadeiro embaixador cultural da cidade.

“HOMEM DA MONTANHA”

Entre as demonstrações mais fortes de sua ligação com Nova Friburgo está a música “Homem da Montanha”, uma obra associada à sua identidade e às suas raízes serranas.

A relação de Benito com a cidade chegou a motivar, em 2023, uma iniciativa da Câmara Municipal para a criação de uma estátua do artista em um local de grande apelo turístico e cultural. A proposta previa que o monumento tivesse como um dos elementos a letra de “Homem da Montanha”.

A iniciativa demonstra o tamanho da importância que Benito passou a representar para a memória cultural de Nova Friburgo.

A cidade não enxergava nele apenas um cantor famoso.

Enxergava um filho que ajudou a escrever o nome de Nova Friburgo na história da música brasileira.

UM LEGADO QUE ULTRAPASSA A MÚSICA

Benito di Paula construiu uma carreira de mais de 50 anos e permaneceu ligado à música até os últimos anos de sua vida.

Em 2020/2021, já aos 80 anos, voltou a trabalhar musicalmente ao lado do filho Rodrigo Vellozo, mantendo viva sua produção artística e demonstrando que sua relação com a música nunca foi apenas uma profissão, mas parte essencial de sua existência.

Sua trajetória também ganhou novas homenagens nos últimos anos. Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro levou sua história para o Carnaval de São Paulo com um enredo dedicado ao artista, homenagem que contou com a presença do próprio Benito.

Era o reconhecimento de uma trajetória que já havia atravessado gerações.

NOVA FRIBURGO PERDE UM ARTISTA, MAS GANHA UMA MEMÓRIA ETERNA

A morte de Benito di Paula encerra uma trajetória de vida, mas não encerra sua presença.

Sua voz continuará nas gravações.

Suas músicas continuarão sendo cantadas.

Seu piano continuará sendo lembrado.

E seu nome continuará ligado a Nova Friburgo.

A cidade que viu nascer Uday Vellozo viu também surgir um artista que adotou o nome de Benito di Paula e levou sua música para muito além das montanhas.

Hoje, quando se fala em Benito di Paula, fala-se também de Nova Friburgo.

E quando se fala em Nova Friburgo e sua história cultural, Benito ocupa um lugar especial.

Ele saiu da cidade, conquistou o Brasil e alcançou o mundo — mas nunca deixou de carregar consigo o orgulho de ser friburguense.

Por isso, mais do que lembrar seus grandes sucessos, é importante preservar sua história.

Porque Benito di Paula não foi apenas um grande nome da música popular brasileira.

Foi um dos filhos de Nova Friburgo que ajudaram a fazer a cidade ser conhecida muito além de suas montanhas.

E talvez seja essa a maior homenagem que sua terra natal pode lhe prestar:

continuar contando sua história para que as próximas gerações saibam que, um dia, das montanhas de Nova Friburgo, saiu um menino que colocou seu piano diante do Brasil inteiro — e fez o nome de sua cidade ecoar junto com sua música.